segunda-feira, 9 de abril de 2018

SEMPRE PRESENTE


Num dia muito triste, recordando, com muita saudade, momentos de grande felicidade.

terça-feira, 6 de março de 2018

RECORDANDO A AVÓZINHA

Não só eu que te recordo com tão grande saudade.
A nossa netinha, Ana Teresa, postou estas fotografias com este linda mensagem.
Os olhos marejaram-se de lágrimas e não tenho mais palavras que exprimam tudo o que sinto.

" Aqueles que passam por nós, 
Não vão sós,
Não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
Levam um pouco de nós"
Para sempre... Parabéns  

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

88 ANOS DE VIDA


Oitenta e oito anos de uma vida cheia de altos e baixos, alguns desgostos, mas muitas alegrias, dezenas de peripécias e muitas mudanças, mas no fundo uma vida feliz à qual estou grato.

Os primeiros 37 anos, embora tendo nascido em Beja e com algumas pequenas interrupções, foram passados em Lisboa a cidade onde cresci e que tanto amo.

Ali adquiri os valores de solidariedade e justiça que têm orientado a minha vida, ali adquiri a bagagem cultural, embora pequena, que possuo.

Ali vivi com a companheira com que casei e onde nasceram os meus três filhos.

Ali vi morrerem os Meus Avós e a minha Mãe.

Durante aqueles anos frequentei os teatros, os cinemas, os concertos, as exposições e as livrarias, apurando o gosto pela literatura e pelas artes sem descurar o desporto.

Ali passei os anos difíceis da guerra em que tínhamos de viver com os cartões de racionamento e em que estivemos prestes a ser bombardeados quando pensávamos que estávamos a assistir a exercícios de defesa antiaérea, pesadelo que acabou com alegria de um dia e uma noite na inesquecível manifestação do armistício.

Aos dezoito anos empenhei-me, com todo o entusiasmo que ponho em tudo em que me meto, na campanha para a presidência da república do General Norton de Matos acabando preso pela Pide e “festejando” os meus dezanove anos nos curros do Aljube.

Militei no MUD Juvenil e fiz parte do coro do maestro Fernando Lopes Graça.

Pratiquei vários desportos pelo gosto e não para que me evidenciasse em algum e, durante algum tempo, fui responsável pela secção de andebol do Clube de Futebol Os Belenenses.

Participei em direcções da Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal e da Federação de Campismo de Portugal.

No teatro, criei o Proscenium, Grupo de Teatro do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório de Lisboa, que ainda hoje existe embora já independente daquele sindicato, que levou à cena alguns dos melhores autores clássicos e modernos.

Num dos meus empregos, criei as condições para que surgisse o Rali Internacional da TAP, hoje Rali de Portugal.

Aos trinta e sete anos, as ironias do destino atiraram-me para Angola e ali estabeleci uma nova vida com minha mulher e filhos e para ali levei todos os meus livros, discos e recordações de família.

Durante oito anos ali vivi, cheio de saudades da minha Lisboa, mas, sempre com o entusiasmo que me movia, criando coisas e amigos.

Durante quatro anos na Companhia Mineira do Lobito e nos outros quatro na Associação Comercial, Industrial e Agrícola do Huambo onde levei à internacionalização a feira de amostras que aquela entidade organizava.

Também ao tomar a direcção das “6 Horas de Nova Lisboa” não descansei enquanto a não internacionalizei e a coloquei no calendário da Federação Internacional de Automobilismo.

A corrida de 1972, última em que fui seu director, é considerada por muitos, entre eles o António Peixinho, como a melhor prova automobilística que se realizou em Angola.

No dia 25 de Abril de 1974 fui interrogado pela última vez pela Pide.

Na véspera dera uma conferência de imprensa anunciando a criação de um grupo de teatro e isso motivara aquele interrogatório pois, segundo dizia o agente, o sr. inspector interessava-se muito por assuntos de teatro e gostava de saber o que é que nós pensávamos levar à cena.

A tão eficaz polícia de informação desconheci que, naquela altura, o seu governo estava a cair e preocupava-se apena com o medo que o teatro lhes provocava,

Naquela terra me senti realizado e ali criei muitos e grandes amigos.

Mas, em 1975, fui obrigado a regressar a Portugal e, aos 45 anos de idade, iniciar uma nova vida começando do zero.

Com a mulher e os filhos, começámos uma nova luta sem emprego, sem casa, sem nada daquilo que havíamos conseguido até ali e apenas com 10 contos de réis no bolso, pois todo o dinheiro que possuía ficara em Angla com o resto das “bicuatas”.

Uma nova etapa se começava, bem difícil de princípio, mas que, com trabalho e entusiasmo, iríamos vencer.

Não em Lisboa, onde pensámos, que iriamos recomeçar, mas em Évora para onde, novamente, a ironia do destino nos atirou e ali acabei por viver a maior parte da minha vida. 

Ingressámos nos serviços do Ministério da Agricultura, ajudámos a montar os serviços administrativos da então criada Direcção Regional do Alentejo e ali terminámos a nossa vida profissional como chefe de repartição.

Durante os anos que vivi naquela cidade, onde ainda tenho a minha casa, fui sindicalista, autarca e militante político, sempre interessado em contribuir para uma melhor sociedade.

Actualmente, vivo reformado, em Marisol na companhia de minha filha e genro que têm a paciência de me aturar e evitam que termine a minha vida numa dessas arrecadações a que, pomposamente, chamam casas de repouso.
Apesar da idade, dou diariamente a minha volta de automóvel, para preocupação do meu filho mais velho que entende que já não devia conduzir.

Das minhas grandes paixões o teatro e automobilismo, restam vivos o Proscenium e o Rali de Portugal.

Ao longo da vida tive o prazer de conviver com grandes nomes da literatura, da pintura, do teatro, da musica, do desporto e da política, criando amizade com alguns deles.

Foi uma vida difícil mas, ao mesmo tempo, fabulosa.

Filhos, netos e bisneto, cada um à sua maneira têm-me dado todo o apoio e companhia que podem.

Apesar da cansado de uma longa vida, só não sou inteiramente feliz porque me falta aquela que sempre me acompanhou com muito amor e dando-me sempre todo o apoio.

Sempre desejei partir antes dela, mas o destino não me fez esta vontade.

A todos os amigos que sempre me apoiaram e ajudaram em tudo que tentei e consegui realizar, aos meus filhos, genro e noras, netos e bisnetos o meu muito obrigado

SEM ELES NÃO TERIA SIDO NADA.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

PASSOU TUDO TÃO DEPRESSA


Foi há 65 anos, um dos dias mais felizes da minha vida.


Nesse dia lindo, conheci a minha querida Teresinha e, desde esse dia, nunca mais deixámos de estar juntos.


Um ano através de correspondência diária e, depois, durante 56 anos de felicidade inteiramente dedicados a mim nos quais me deu tudo que pôde.


Sempre presente, nos bons e nos maus momentos, deixou-me a coisa mais preciosa que alguém pode ter: três filhos que fazem tudo que podem para que a minha vida seja um pouco menos difícil depois de ter sido obrigada a abandonar-me porque a sua saúde não permitiu que continuasse a ser o meu amparo.



Como têm sido difíceis estes oito anos em que tu me deixaste, meu querido amor.


E PASSOU TUDO TÃO DEPRESSA ... TÃO DEPRESSA!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O PROSCENIUM PRESENTE NO CONCURSO DE ARTE DRAMÁTICA

Após dois meses da apresentação pública do Proscenium, voltávamos ao palco do Teatro Nacional D. Maria II, desta vez, para concorrer ao Concurso de Arte Dramática que era organizado pelo S.N.I. Mais uma vez, ficámos gratos a D. Amélia Rey Colaço pela cedência do seu teatro permitindo-nos a grande honra de pisar aquele prestigioso palco. Extra concurso, voltámos a apresentar “Breve Sumário da História de Deus”, o auto de apresentação pública do Proscenium e que tão bem tinha sido acolhido pela crítica. A peça apresentada a concurso foi o “Auto da Justiça” de Francisco Ventura. A simplicidade deste texto cativou-nos e entusiasmou-nos a estar presente numa iniciativa que considerávamos de muita utilidade para o desenvolvimento do teatro amador. A final do concurso realizou-se, depois, no Teatro Trindade e, apesar de se tratar de um grupo recente, obtivemos duas menções honrosas: uma para o Proscenium e a outra para Arlette Martins pela sua interpretação de Maria Afonso.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O PROSCENIUM ESTÁ VIVO

Há dias, tive a grata surpresa de ser contactado por Alda Neto, integrante do actual Proscenium, que, tendo lido o que escrevi sobre aquele grupo, gostava de me conhecer para recuperar a história do mesmo pois, segundo a sua opinião, “só conseguimos entender o presente se conhecermos o passado”. Na conversa que tivemos tomei conhecimento que o Proscenium, que eu sempre amei e pensava morto, está bem vivo pois um dos seus componente, José Monteiro, quando aquele se extinguiu no Sindicato, garantiu a sua continuidade constituindo uma associação cultural e recreativa sem fins lucrativos. Senti uma alegria muito grande e, aceitando o convite irrecusável que me fez, no dia 23 de Julho lá estarei a assistir ao vosso espectáculo, “Uma Grande Tourada”, para os felicitar e agradecer o manterem vivo este grupo criado há 57 anos. E, para satisfazer o desejo da Alda de conhecer o passado do Proscenium, irei escrever a sua história até ao quarto espectáculo altura em que, contra a minha vontade, tive de o abandonar. O resto da história terão de a procurar naqueles que formaram o grupo e ainda se encontrem vivos. Destes, destaco o Carlos Baleia que, com o seu entusiasmo e talento, acompanhou o Proscénium desde a sua formação até, julgo, à sua extinção, representando dezenas de personagens entre as quais o Willy Loman da “Morte dum Caixeiro Viajante”, o papel que eu mais gostaria de ter interpretado. Recordando com saudade a formação do Proscénium e todos o que o ajudaram a nascer envio, na pessoa de Alda Neto, uma grata saudação a todos os actuais componentes incitando-os a nunca desistirem. O Teatro é uma arte maravilhosa a que devemos dedicar todo o nosso amor e entusiasmo. BEM HAJAM

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

FOI ONTEM … COMO SE FOSSE HOJE

Estava um dia lindo de sol, bem diferente do de hoje que está frio e de chuva. Mas podia estar o mais terrível dia de tempestade que, mesmo assim, seria o dia mais radiante em que o sol mais brilhava. Foi há sessenta e quatro anos que nos encontrámos, meu amor, e não mais nos separámos. Que dia maravilhoso que recordo como se o tempo não tivesse passado. Durante cinquenta e sete anos, vivemos uma vida de sonho em que me deste tudo que me podias dar para encher a minha existência de felicidade. Infelizmente, tudo que é bom tem fim e há sete anos abalaste deixando-me apenas com esta saudade tão grande, tão grande e que tanto me faz sofrer. Mais um ano passou e, desterrado como estou, já nem te posso levar aquele ramo de rosas vermelhas que todos os anos punha na nossa campa como se isso nos fizesse estar mais próximo. ONTEM O DIA ESTAVA LINDO … HOJE ESTÁ FRIO E O CÉU CHORA.